Repartição pública é o termo genérico, usado na linguagem corrente dos países de língua portuguesa, para designar um qualquer departamento ou escritório de administração pública. À palavra repartição são indissociáveis os seguintes conceitos: espera, filas, senhas, confusão e caos. Mas há uma função que sempre nos passa despercebida, numa repartição. Uma função maior que é a de juntar as pessoas. E se juntamos pessoas, juntamos histórias, ambições, conflito, passado, presente e futuro. Mas quando os sonhos ficam por cumprir, quando as expectativas saem goradas, há uma gestão emocional que muitos não conseguem fazer sozinhos. Foi a partir desta urgência que foi criado o Departamento de Gestão de Expectativas, para acudir aos que não viram a vida desenrolar-se como queriam, desejos que não conheceram a luz do dia (ou qualquer luz). Mas quando destapamos o passado, o pó levanta e revela o que muito bem poderia permanecer sossegado.

Este ano foi um início de caminho para esta gente que chegou tímida mas que agora tem algo para dizer e vão dizê-lo juntos. Foi um ano duro de reconhecimento de territórios baldios dentro de cada um. Cada um que se deixou/quis envolver, descobrir e jogar. Perdemos umas coisas, ganhamos outras, caminhamos sempre.
Apresentam agora o resultado deste ano que teve várias cores. E vêm com toda a força, vêm por aí abaixo esbaforidos. É bom que saiam da frente.
Pergunto-lhes hoje: “Valeu a pena a travessia?”. Vou esperar o final para ouvir a resposta…
Abraço-os com todo o carinho que os caracteriza. São uns Valentes!
—————
Dramaturgia – Jorge Geraldo | Direção – Alexandre Oliveira – Assistência de direção – Diogo Marques | Figurinos e dispositivo cénico – Criação coletiva, Alexandre Oliveira, com agradecimento especial à Teresa e ao Hugo | Produção Executiva – Luíz Serrano | Design Gráfico – João Ferreira