Ficha técnica:
Autor: William Shakespeare
Tradução · Fátima Vieira
Encenação · Alexandre Oliveira
Interpretação · Alexandre Oliveira, Cátia Soares, Eva Freire Tiago, Helder Carvalho, Jaime Castelo Branco, Mariana Banaco e Miguel Figueiredo
Operação de som e luz · João Ferreira
Cenografia e Adereços: Hugo Tocha, Teresa Bento, Alexandre Oliveira e Loucomotiva
Figurinos: Loucomotiva e Colégio de S. Teotónio
Design gráfico, Fotografia e Vídeo· João Ferreira
Construção de Adereços · Teresa Bento
Construção de Cenário · Hugo Tocha e Manuel Plácido
Montagem de luz – Alexandre Oliveira e Diogo Marques
Produção · Loucomotiva
SINOPSE
Qual é o lugar da ficção nas nossas vidas? Porque é que temos necessidade de ficcionar? Porque é que sonhamos? O que é que o chão fértil do sonho nos pode dar que a realidade nos recusa?
A realidade não é sempre verdadeira, ela também pode ser falsa! Se a olharmos pelo lado errado do telescópio, vemo-la ao contrário.
Próspero, o injustiçado Duque de Milão, surge-nos como um maestro, um arquiteto, um manipulador do comportamento humano, um sonhador que vê na ficção a única forma de tentar resgatar o seu mundo do lodo em que jaz.
Foi expulso de Milão por um irmão que, sedento de poder, se aliou ao Rei de Nápoles e ao irmão deste e o traiu. Como homem que é, de carne e sangue, a vingança fervilha-lhe debaixo da pele, no pensamento, nos arquipélagos mais refundidos da alma. Mas o que poderia Próspero fazer para se vingar sem exércitos ao seu serviço, extirpado dos títulos, do poder e da dignidade? O que poderia ele fazer se, na realidade, já nada valia?
Ele sou eu, ele és tu, ele somos todos nós os que, impotentes face às adversidades que a realidade levanta, se vingam ou refugiam num plano ficcionado, desenhado de acordo com as nossas intenções, que perdoam mesmo sabendo que a redenção, a nossa e a dos outros, é fictícia. Mas é a que construímos para nós e, por isso, mais valiosa.
E quando acordamos desse sonho, “desesperamos por adormecer novamente”.