White Noise, ruído branco ou estática é um sinal aleatório gerado a partir de diferentes frequências, que lhe conferem uma densidade espectral de potência constante. Para produzir White Noise, todas as frequências que o ouvido humano consegue ouvir são tocadas numa ordem aleatória. O resultado é um som ou imagem abstratas, ou seja, a presença de tudo conduz-nos ao vazio, ao nada.
Partimos para este exercício precisamente a discutir este jogo de contrários – silêncio interior/caos do mundo, quietude/inquietação, tudo/nada – e a procurar, em cada um de nós, a existência destes paradoxos.
O afastamento, motivado pela pandemia, gerou, em cada um, sensações desconhecidas: a vontade de estar presente sem poder, a imagem do fosso que foi crescendo entre as pessoas, a constante presença e disseminação do medo e, principalmente, uma constante expectativa de restabelecimento das coisas, tal como as conhecemos, que ainda não se concretizou. Parece que estamos hipnotizados, presos entre dois mundos. Obrigámo-nos, assim, a caminhar numa direção diferente, talvez para não repetir os erros do passado, a criar devagar, a descobrir e induzir um estado de hipnose – em nós e nos que se juntarem a nós – para eliminar a resistência ao outro, para reencontrar uma pureza estaminal.
Aqui vamos encontrar corpos carregados de vontade de existir mas obrigados a existir devagar: corpos atrofiados, corpos lentos, corpos máquina, corpos mediáticos, corpos caos, corpos ordem, corpos vazios, corpos cinza, corpos longínquos e corpos saudosos.
Tentámos ver e fazer ver, os fios invisíveis que nos ligam uns aos outros e descobrimos que, quando abrandamos o fluxo do pensamento, quando damos espaço ao silêncio, conseguimos ver no essencial.
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Espetáculo final da Turma de Dança Contemporânea das Oficinas Loucomotiva
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Autoria: Alexandre Oliveira
Encenação e Direção: Alexandre Oliveira
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Produção: Loucomotiva 2021