No dia 7 de Julho do ano da graça de 1497, Lisboa estava nos preparativos para a saída das naus de Vasco da Gama rumo à Índia: enfeitavam-se as ruas, ensaiavam-se cantos, assava-se o porco e, como culminar do festejo, enforcavam-se dois bandidos.
Imperava um clima de esperança e alegria, mas havia algo que unia aquele lindo porco que já rodava no espeto e aqueles dois tristes bandalhos: ambos iam morrer inocentemente para que a festa pudesse prosseguir.
No entanto a vida reservou-lhes uma última tentativa, quando o dedo grande do pé já mal chegava a tocar no estrado, chegou-lhes a boa nova de que poderiam ser homens livres se embarcassem com a frota do Vasco da Gama até a Índia e voltassem.
A alegria que a ideia de serem livres causava não ia durar muito. Eles ainda não sabiam que iriam ser enganados, roubados, afogados, desidratados, batidos e torturados por cinco culturas diferentes até chegar ao aclamado destino. Como se sabe, não pode haver tanta fortuna sem haver meia dúzia de desgraçados. É disto que o “Caminho Marítimo Para a Desgraça” fala – daqueles que através do seu infortúnio construíram os grandes feitos dos quais ainda hoje nos podemos orgulhar.